Por milhares de anos a humanidade viveu sem o uso de algo cuja ausência é impensável no mundo contemporâneo, a geladeira.
Não que os homens não soubessem como conservar alimentos. Os chineses, pioneiros, usavam flocos de neve para tal, outros alimentos eram conservados com sal. O preparo das comidas, com bastante tempero, ajudava a mantê-las. Não havia a idéia de como nossas vidas viriam a ser facilitadas com a invenção da geladeira.
Pois em 1875, Carl Von Linde faz a invenção da geladeira. E essa história melhora quando a recém inventada tecnologia de absorção da refrigeração, permitiu que a Electrolux fosse pioneira no processo de fabricação de refrigeradores em 1925.
A partir daí os nossos hábitos alimentares jamais seriam os mesmos.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
1875 – Invenção da geladeira (Carl von Linde)
domingo, 31 de janeiro de 2010
1861 – Primeiro telefone (Johann Philipp Reis)
Johann Reis nasceu a 7 de Janeiro de 1834 na pequena cidade de Gelnhausen, próximo de Frankfurt, na Alemanha. O seu pai, Segismundo Reis, um padeiro de parcos recursos, era filho de judeus sefarditas portugueses oriundos da Beira Baixa que emigraram para a Alemanha nos finais do século XVIII, juntando-se inicialmente à florescente comunidade de judeus portugueses estabelecidos em Hamburgo.
Órfão de mãe aos 11 meses, Johann Philipp Reis perdeu também o pai quando tinha apenas 10 anos, sendo criado pela avó materna, uma Judia portuguesa extremamente culta e bastante religiosa. Estudante talentoso desde tenra idade, Johann Reis passava horas na biblioteca do colégio, o Instituto Hanssell, lendo tudo o que apanhava sobre as suas disciplinas favoritas: geografia, matemática, física e línguas. Um dos seus tios queria fazer dele um comerciante, profissão tradicional na família, mas Johann tinha outras aspirações. Aos poucos, pagou do seu bolso aulas privadas de matemática e física e em 1858, um ano antes de casar, aceita a posição de professor de matemática e ciências no Instituto Garnier, em Friedrichsdorf, nos arredores de Frankfurt.
O caminho que o levaria à invenção do telefone teve início acidentalmente, quando Johann Reis investigava a possível construção de uma “orelha artificial” (künstliches ohr) para aliviar a surdez – uma doença que afectava a sua avô beirã, já em idade avançada. Reis começou a trabalhar na “orelha artificial” com apenas 18 anos, em 1852. No laboratório improvisado num barracão nas traseiras da sua casa, Johann Reis construiu o seu primeiro aparelho com componentes inesperados que encontrou quase ao acaso: um violino, uma agulha de malha, uma rolha de cortiça, fio de cobre e uma salsicha. Uma pele de salsicha esticada sobre uma rolha de cortiça oca servia de microfone, unido com cera ao fio de cobre que por sua vez era ligado a uma corda do violino, que funcionada como receptor e caixa acústica. Os resultados não foram muito animadores, mas Reis não desistiu.
Dois anos mais tarde, em 1854, Johann Reis lê um interessante artigo do telegrafista francês Charles Bourseul, publicado na revista L’Illustration de Paris, no qual ele descreve a possibilidade de transmitir sons através de uma corrente eléctrica intermitente. O artigo de Bourseul concedia uma base teórica às experiências de Johann Reis, permitindo-lhe avançar com o seu projecto, ao qual deu o nome de “telefone”, cunhando pela primeira vez o termo que viria a fazer parte do vocabulário de todo o planeta nos séculos que se seguiram.
Em 1860, quase dez anos após as suas primeiras experiências, as tentativas de Johann Reis davam frutos significativos, 16 anos antes do escocês Alexandre Graham Bellreclamar a sua patente. A primeira frase transmitida pelo telefone de Reis foi “das pferd frisst keinen gurkensalat” (literalmente “o cavalo não come salada de pepino”). A demonstração pública do novo invento foi efectuada perante a Sociedade de Físicos de Frankfurt (Der Physikalische Verein) a 26 de Outubro de 1861. Na altura com apenas 27 anos de idade, Johann Philipp Reis proferiu uma palestra intitulada “Das Telefonieren Durch Galvanischen Strom” (“Telefonia Utilizando Corrente Galvânica”) e transmitiu os versos de uma canção através de um cabo de 100 metros, naquela que seria a primeira exibição pública que provava com sucesso a possibilidade teórica da conversão de variações de corrente eléctrica em ondas sonoras.
Apesar de algum sucesso relativo, o telefone de Reis estava longe de ser perfeito. Construído para converter quebras de corrente eléctrica em som, o aparelho conseguia transmitir música mas tinha dificuldades em reproduzir a voz humana. Por causa disso, a invenção ficaria conhecida na época como “telefone musical”. A palestra de Frankfurt granjeou a Johann Reis alguma fama temporária, fazendo com que modelos do seu invento fossem levados para a Inglaterra, Irlanda, Estados Unidos e Rússia.
Mesmo assim, a Sociedade de Físicos de Frankfurt voltaria costas ao telefone, com parte da comunidade cientifica alemã a classifica-lo como um mero “brinquedo filosófico”. Confrontado com o antisemitismo de alguns dos membros, Reis abandona a Sociedade de Físicos de Frankfurt em 1867.
Johann Phillipp Reis, o inventor descendente de judeus portugueses, morreu vítima de tuberculose às cinco da tarde do dia 24 de Janeiro de 1874, com apenas 40 anos, sem conhecer o verdadeiro sucesso do seu trabalho mas acreditando nele até ao fim. Pouco antes de morrer, Johann Reis escreveu: “Olhando para a minha vida posso dizer, como na Torá, que tem sido ‘trabalho e sofrimento’. Mas tenho também de agradecer a Deus que me deu a Sua benção na minha carreira e na minha família, e me concedeu mais do que eu alguma vez saberia como pedir-lhe. Hashem ajudou-me até aqui; Ele irá ajudar-me daqui para a frente.”
A 22 de Março de 1876, um editorial do New York Times intitulado “The Telephone” elogiava e enaltecia Johann Phillipp Reis como inventor do novo engenho. O editorial não fazia qualquer menção a Alexander Graham Bell, que poucos meses depois receberia uma patente americana registando “melhoramentos” no telefone. Em 1878, um grupo de físicos da sociedade de Frankfurt mandou erigir um monumento a Phillipp Reis, classificando-o como “o inventor do telefone”. A paternidade do invento foi-lhe igualmente atribuída em inúmeros livros e tratados publicados por toda a Europa. Já no século XX, pelo facto de Johann Reis ser judeu, o regime nazi haveria de expurgar o seu nome dos manuais escolares alemães. Reis seria reabilitado após a Segunda Guerra Mundial, homenageado em 1952 pelo governo alemão numa colecção de selos comemorativa dos 75 anos do serviço telefónico no país – um novo selo, este com uma gravura da sua invenção, seria emitido em 1989 na RDA.
Em 1986 as cidades de Friedrichsdorf e Gelnhausen, em conjunto com a Deutschen Telekom, instituíram o Johann Philipp Reis Preis, uma bolsa anual de 10 mil euros destinada a premiar jovens cientistas que se distingam no campo das telecomunicações.
sábado, 30 de janeiro de 2010
1859 – O motor a gás é desenvolvido (Etienne Lenoir)
Em 1876, uma idéia técnica impressionante virou realidade: o engenheiro alemão Nicolaus August Otto construiu o primeiro motor com ciclo de quatro-tempos. O princípio da “indução, compressão, ignição e exaustão”, aplicado na sua máquina de força de combustão continua sendo aplicado, sem ter sido modificado na fabricação de motores atuais.
O primeiro motor de combustão funcional já havia sido construído pelo belga Etienne Lenoir em 1859. O motor a gás que era parecido com um motor a vapor horizontal, trabalhava com uma mistura de gás iluminado e ar. O movimento do pistão sugava a mistura de gás para o cilindro onde ele era aceso com uma faísca elétrica. A explosão movia o pistão para trás. No caminho, os gases de combustão eram expulsos enquanto que do outro lado do pistão, a indução e o processo de trabalho era repetido.
Em 1867, Nicolaus August Otto desenvolveu um motor melhor, o chamado motor atmosférico livre de pistão. O motor foi premiado com a medalha de ouro na Feira Mundial de Paris em 1867 apesar de fazer barulho enquanto operava. O fato de que sua consumação de combustível era cerca de 60% mais favorável do que os motores produzidos por outros fabricantes foi decisivo.
Na primavera de 1876 o “motor Otto” foi criado. Este era um motor a gás de quatro-tempos com carga compressa que inicialmente era movido com a ajuda de uma chama de gás como uma fonte externa de ignição. Logo após o fim do movimento do pistão durante a fase de compressão, a chama era introduzida no cilindro onde ela acendia a mistura de combustível e ar, sendo possível apenas a utilização de combustíveis gasosos.
O princípio básico era e continua sendo simples: o combustível é sugado, compresso e então entra em combustão. No quarto tempo, os gases de combustão são expelidos.
Em pouco tempo o novo motor de Otto foi desenvolvido por Mayback ficando pronto para produção em série, sendo introduzido no mercado em 1876 sob o nome de “Deutzer A-motor” com um motor de aproximadamente 3 cavalo-vapor. No início do ano seguinte, a potência do motor pôde ser elevada em 5 cavalo-vapor.
Em 1883, Otto finalmente construiu um motor que também usava petróleo. Karl Benz aperfeiçoou o motor com ciclo de quatro tempos e apresentou o primeiro automóvel em 1886.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
1854 – Invenção da lâmpada de luz incandescente (Heinrich Goebel)
Segundo Karl Bienek, que há anos se ocupa com a história da lâmpada incandescente e da energia elétrica, uma das sensações da 1ª Feira de Eletricidade de Paris foi o estande em que as pessoas podiam ligar e desligar uma lâmpada. Tratava-se de uma fascinante novidade na época. "A feira de 1881 foi decisiva para a introdução da luz e de outras formas de uso da eletricidade", diz.
Hoje é quase inimaginável que alguém possa viver sem energia elétrica. Em 1881, isso era bem diferente. A energia elétrica era praticamente inexistente, uma realidade que mudou depois da feira de Paris. As lâmpadas de Edison foram apenas o começo. O inventor norte-americano, porém, deixou claro aos europeus que a nova luz significava o início de uma nova era.
De Goebel a Edison
No entanto, o inventor da lâmpada incandescente não foi Thomas Alva Edison (1847-1931) – como se acredita – e sim o mecânico alemão Johann Heinrich Goebel (1818–1893). Emigrado para os Estados Unidos em 1848, ele usou em 1854 as fibras de bambu de sua bengala como filamento.
Ligadas nas extremidades por meio de arames de aço, elas se transformavam em condutores de energia elétrica. Em ampolas de vidro transparente, as fibras de bambu chegavam a permanecer acesas por até 200 horas. Goebel logo usou o invento para iluminar sua joalheria em Nova York.
Segundo Karl Bienek, Goebel estava à frente de seu tempo. Ao tentar iniciar a industrialização e a produção em série, não encontrou financiador. Na época, simplesmente não existia demanda por lâmpadas incandescentes.
Faltava também a infra-estrutura tecnológica – como, por exemplo, usinas de eletricidade – para manter a luz em funcionamento. Existiam apenas células galvânicas, que eram muito caras e não tinham a potência para iluminar uma rede de lâmpadas incandescentes.
O mérito de Edison foi transformar a lâmpada incandescente num produto de consumo, o que viabilizou sua produção em série. Ele começou também a desenvolver a tecnologia necessária para o emprego do invento. São dele, por exemplo, as idéias básicas e a construção de um sistema de iluminação elétrica, com motor a dínamo, distribuidor, linhas de distribuição, registrador de consumo, fusíveis, material isolante, interruptores e bocais.
O longo caminho para a comercialização
Apesar de ter sido muito admirada na feira de Paris, a eletricidade ainda demorou a se impor na Europa. Os alemães, por exemplo, continuaram usando lamparinas de petróleo, velas de cera e lampiões a gás para a iluminação em geral.
Somente no início do século 20, a Alemanha percebeu que era possível ganhar dinheiro com a nova tecnologia. Foi aí que Auer von Welsbach revolucionou a lâmpada de Edison, com a introdução do filamento incandescente de metal.
A lâmpada ósmico-wolfrâmica, conhecida pela abreviação Osram, abriu o caminho para o lançamento, em 1912, de lâmpadas com filamento totalmente à base de tungstênio no mercado alemão. A tecnologia básica da lâmpada incandescente, portanto, foi desenvolvida de 1854 a 1912. E, com ela, a eletricidade conquistou as casas e as ruas da Alemanha e da Europa.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
IPad - Um Futuro Presente
Após meses de rumores, Steve Jobs apresentou a última maravilha da Apple: um dispositivo revolucionário, com o tamanho de uma folha A4, que inclui uma série infindável de funcionalidades. Em Março estará no mercado por 499 dólares.
A Apple revelou ontem o iPad, dispositivo que durante meses andou a alimentar rumores.
Na conferência de imprensa - que contou com a presença do ex-vice-presidente Al Gore - o patrão da Apple, Steve Jobs, desvendou o iPad, leitor multimedia e de livros electrónicos, com capacidades de telemóvel. Estará no mercado em dois meses, em algumas das seis diferentes versões em que foi apresentado.
O iPad vai surgir em seis modelos com ligações Wi-Fi no final de Março e Wi-Fi mais 3G (apenas em Abril), com 16, 32 e 64 GB de memória interna. Os preços nos Estados Unidos vão de 499 (Wi-Fi e 16 GB) a 829 dólares (Wi-Fi, 3G e 64 GB). Os preços internacionais serão revelados mais tarde.
A Apple associou-se à AT&T nos EUA para o lançamento de um plano de preços de dados específico, enquanto os acordos com operadoras telefónicas internacionais serão revelados em Junho ou Julho.
Em termos de design, o iPad é um iPhone maior com um interface de utilizador fácil de usar. É uma terceira categoria de dispositivo, entre o telemóvel e o computador, em que o utilizador terá "toda a Internet na sua mão", sintetizou Jobs.
Tem ecrã táctil de 9,7 polegadas, semelhante ao leitor electrónico Kindle, mas com melhor design, usa um processador da Apple e uma bateria com autonomia de dez horas. Apesar do teclado virtual, acessível pelo ecrã, permite a ligação de um teclado externo, vendido à parte.
O iPad é uma inovação por congregar tecnologias já existentes. Posiciona-se entre vários equipamentos disponíveis, desde os netbooks aos leitores electrónicos de livros, mas ultrapassa-os em funcionalidades, oferecendo igualmente uma loja iBooks para livros e uma iWork com um conjunto de aplicações. Tem o tamanho de uma folha A4, com uma capa que protege o ecrã, acesso a correio electrónico ou a transmissões televisivas, a música, fotografias, redes sociais, mapas da Google e vídeos do YouTube, bem como a edições electrónicas de jornais ou videojogos.
As aplicações disponíveis na App Store correm no iPad sem problemas, garantiu Jobs, "bem como algumas de uma nova geração concebidas" para ele. A sincronização ao iTunes funciona como no iPhone, através de uma ligação USB pelo computador.
Após o anúncio, percebe-se que a Apple andou a criar suspense em diferentes indústrias, pelo que surgiram rumores ontem confirmados de que o novo equipamento iria ter influência nos jogos ou na leitura electrónica de jornais e de livros.
Mesmo o nome iPad já tinha surgido nos media, após a Apple ter registado o nome em Julho no Canadá, Europa e Hong Kong (e na Austrália, mas em 2007), sendo um termo mais recente do que o também falado iSlate registado há quatro anos. No entanto, o termo iPad está registado nos EUA pela Fujitsu e a Apple está a disputar o nome no organismo responsável pelos registos.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
1825 – Primeira linha de Estrada de ferro na Inglaterra
Nessa primeira viagem, a locomotiva puxava mais de quinze vagões divididos entre veículos de passageiros e de carga. Cerca de quinhentas pessoas estavam no trem, que completou o percurso em sete horas, devido às longas paradas nas estações.
A linha férrea transformou-se num sucesso comercial e técnico. Tanto que cinco anos depois, Stephenson já criava uma outra ferrovia, desta vez fazendo a ligação entre Liverpool e Manchester. Sem que percebessem, os ingleses assistiram naquele dia ao estabelecimento de uma invenção que contribuiria para o aniquilamento do espaço pelo tempo